Auditores do DFTrans identificam fraudes em ônibus do grupo Viplan




Parece não haver limites para os donos das empresas de ônibus do Distrito Federal. Além de operar com permissões vencidas, colocar nas ruas veículos com idade acima da permitida em lei e desrespeitar itinerários e horários, eles agora são acusados de cometer uma série de fraudes consideradas crimes no Código Penal Brasileiro.

Ao longo do ano passado, pelo menos 440 coletivos das concessionárias carregaram passageiros na
clandestinidade. Já em duas operações realizadas nas duas últimas semanas, fiscais descobriram micro-ônibus na mesma situação e rodando com validadores de bilhetes eletrônicos clonados de uma linha que nunca existiu.Sexta-feira, 60 passageriros ficaram feridos na colisão de dois coletivos antigos.


As informações sobre as falcatruas recém-descobertas serão encaminhadas amanhã à Polícia Civil do DF, que deverá periciar os veículos apreendidos e abrir um inquérito. As irregularidades estão descritas em um relatório elaborado por auditores do Transporte Urbano do Distrito Federal (DFTrans), órgão vinculado à Secretaria de Transporte encarregado de regular e fiscalizar o setor. O Correio teve acesso a parte desse documento, com os detalhes dos novos golpes cometidos pelas empresas, e ao mais recente levantamento sobre as frotas de cada permissionária e as multas aplicadas à elas. As estatísticas comprovam o aumento da idade dos coletivos e das infrações deles.

Zebrinhas
Fiscais flagraram novas fraudes no Serviço de Vizinhança, mais conhecido como Zebrinha por causa da pintura dos micro-ônibus que cumprem as linhas nas quadras residenciais do Plano Piloto. Na primeira operação, duas semanas atrás, os servidores do DFTrans lacraram 28 veículos por conta de irregularidades das mais diversas, como falta de documentação.

Mas a surpresa maior veio na semana seguinte, quando os auditores apreenderam nove desses coletivos. Três haviam sido apreendidos e lacrados seis meses antes por não terem cadastro. Portanto, não poderiam retornar às ruas. Três outros haviam sido recolhidos por infrações diferentes e também estavam impedidos de transportar passageiros porque a empresa não sanou os problemas. Outras três zebrinhas operavam a Linha 8, que simplesmente não existe.

Em comum, além de pertencer ao grupo Viplan — o maior do sistema —, os nove micro-ônibus tinham validadores clonados. Essa era a forma usada pelos empresários para receber o dinheiro do governo referente às passagens pagas por meio de tíquete eletrônico. “Como os equipamentos estavam em veículos irregulares, eles precisavam estar vinculados a micro-ônibus cadastrados. Com isso, a empresa tinha mais de um validador em nome de um veículo, o que é totalmente irregular”, explica o chefe do Núcleo de Fiscalização do DFTrans, Fernando Pires. Os veículos que haviam sido apreendidos tiveram os lacres rompidos pelas empresas e acabaram repintados com números diferentes na lataria, na tentativa de burlar a fiscalização.


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