Ex-deputado da 'oração da propina' é indiciado por quatro crimes

O ex-deputado distrital Júnior Brunelli (ex-PSC) foi indiciado pela Polícia Civil do Distrito Federal pelos crimes de peculato, lavagem de dinheiro, uso de documento falso e formação de quadrilha. O indiciamento ocorreu na última quarta-feira (30), mas só foi divulgado nesta segunda (4). Brunelli é suspeito de usar uma associação para desvio de verba pública. Ele está preso desde 27 de maio.

O advogado que representa o ex-parlamentar, Eduardo Toledo, questionou a necessidade da prisão de Brunelli e disse que haverá a comprovação de que "houve meras irregularidades administrativas".

"Nesse primeiro momento, em que não é dado o acesso aos autos do processo, fica muito difícil a gente fazer uma avaliação sobre como será feita a defesa. Neste momento, focamos na liberdade dele [Brunelli]. A gente espera que após os dez dias da [prisão] temporária, ele seja solto. A defesa vai tentar demonstrar que não houve peculato, mas meras irregularidades administrativas que não caracterizam desvio de verba pública", disse Toledo ao G1.

Brunelli foi o protagonista do episódio que ficou conhecido como "oração da propina". A gravação foi divulgada como parte do suposto esquema de corrupção conhecido como “Mensalão do DEM de Brasília”, que resultou na operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, e na prisão e perda do mandato do então governador do DF, José Roberto Arruda (ex-DEM).
A operação Caixa de Pandora foi deflagrada em novembro de 2009 e investigou o suposto esquema de pagamento de propina no governo do Distrito Federal (GDF). A Procuradoria Geral da República informou que o Ministério Público Federal pretende oferecer denúncia contra o ex-governador Arruda junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) até o fim deste mês.Segundo o responsável pela Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco), delegado Henry Lopes, Brunelli está detido em regime de prisão temporária e será solto nesta terça-feira (5) à meia-noite. O delegado afirmou que, se forem condenados, o ex-deputado e outras três pessoas, presas também sob suspeita de envolvimento no suposto desvio de verba, podem pegar até 30 anos de cadeia.

“As investigações continuam. As investigações mostram que Brunelli e as outras três pessoas desviaram cerca de R$ 1,7 milhão. No entanto, ele conseguiu em emendas parlamentares cerca de R$ 2,6 milhões. Portanto, estes outros R$ 900 mil serão investigados para sabermos se também estão envolvidos em esquemas de corrupção”, afirmou o delegado da Deco ao G1.

Lopes disse ainda que “há indícios materiais que provam o desvio efetivo de verba públca”. Segundo o responsável pela divisão, o indiciamento será relatado e encaminhado à Justiça ainda nesta semana, para uma “possível ação penal ser movida contra Brunelli e os outros suspeitos”.

Investigação
Após dois anos de investigações, os policiais da Deco concluíram que Júnior Brunelli destinou R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares a projetos voltados para idosos, chamados “Corpo em forma, mente sadia 2009” e “Projeto Flor da Idade”. Mas, de acordo com a polícia, o dinheiro teria sido desviado por meio da associação, empresas de fachada e notas fiscais adulteradas.

Segundo a polícia, a Secretaria de Desenvolvimento Social (Sedest) liberou, na época, o dinheiro em quatro convênios com a AMO. Porém, as investigações apontaram que a entidade não tinha estrutura física ou técnica para administrar a quantia. A apuração mostrou ainda indícios de uso da AMO para desvio de dinheiro público.

Caixa de Pandora
O ex-governador José Roberto Arruda (Foto: Fabio Pozzebom / Ag. Brasil)
O ex-governador José Roberto Arruda
(Foto: Fabio Pozzebom / Ag. Brasil)
Arruda é suspeito de ter envolvimento com o suposto esquema de corrupção que envolveu diversos políticos, empresários e servidores públicos.

Por telefone, o advogado do ex-governador, Nélio Machado, disse ao G1 que há falta de conteúdo contra Arruda. "Uma acusação que leva mais de dois anos e meio para ser apresentada revela, de antemão, uma grande possibilidade de falta de conteúdo. Vamos aguardar o teor dessa denúncia. Se ela de fato vier, vamos apresentar nossa defesa. Se for feita a denúncia, será uma acusação sem consistência e o tribunal certamente irá analisar todos os pontos."


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